Exportações aumentam mesmo com derrocada do financiamento público
03/11/2017 - DCI
 

 Exportações aumentam mesmo com derrocada do financiamento público

Mesmo com um apoio menor do setor público para as trocas internacionais, as exportações brasileiras registraram forte aumento entre janeiro e outubro deste ano. Entre os instrumentos de incentivo que mais perderam força em 2017, estão o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), mantido pelo governo federal, e os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as vendas no exterior. Com o Proex, foram liberados R$ 397 milhões entre janeiro e setembro, uma queda de 42,6% na comparação com igual período de 2016, de acordo dados do Tesouro Nacional. Já as estatísticas do BNDES mostram que os empréstimos da instituição para os exportadores somaram US$ 775 milhões em nove meses, um recuo de 78%. Ainda assim, os embarques para outros países totalizaram US$ 183,481 bilhões entre janeiro e outubro, uma alta de 19,9% no confronto com 2016, segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Na opinião de especialistas consultados pelo DCI, a evolução nos preços de produtos básicos é o principal motivo para o bom resultado das vendas. "A melhora das exportações é causada por dois motivos: os embarques de commodities, que não dependem de qualquer tipo de financiamento, e as vendas de automóveis para a Argentina, que ocorrem entre filiais das mesmas empresas e também não precisam muito desse apoio", afirma José Augusto de Castro, presidente daAssociação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Segundo ele, o enfraquecimento dos programas públicos é mais prejudicial para as vendas de produtos industrializados por empresas que não sejam de grande porte. "A exportação de bens de capital depende muito do financiamento. Sem ele, a negociação não acontece", exemplifica o especialista. Já João Ricardo Costa Filho, professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), afirma que a recuperação da economia mundial é outro fator importante para os resultados do comércio exterior neste ano. "Não adiantaria ter financiamento se nenhum país pudesse comprar nossos produtos", afirma ele. O especialista diz também que o auxílio público não deve se recuperar tão cedo. "Hoje, não há espaço nas contas do governo para essa retomada. A grande esperança é que o mercado possa ocupar esse espaço nos próximos anos." Entretanto, Costa Filho indica que o crédito do setor privado só vai avançar quando o País estiver em uma situação mais estável. "Isso vai depender de muita coisa, como o andamento da reforma da Previdência e o resultado das eleições do ano que vem." O ajuste nas contas públicas também afetou o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), programa que devolve uma parcela dos custos tributários aos empresários que vendem para o exterior. A publicação de um decreto no final de agosto definiu que a alíquota do regime, que deveria ser elevada para 3% no ano que vem, será mantida nos atuais 2%. Com essa ação, o ministério da Fazenda espera poupar R$ 2,6 bilhões. Principais usuários dos empréstimos do BNDES, os exportadores da indústria foram os mais afetados pelo recuo nos desembolsos do banco de fomento. Entre janeiro e setembro deste ano, o setor recebeu R$ 685 milhões, uma queda de 79% ante 2016. Outras medidas do governo também podem ter um impacto importante para o comércio exterior. Segundo Castro, a reoneração da folha de pagamentos, que pode ocorrer nos próximos meses, seria bastante prejudicial para os exportadores. "Ela aumentaria os custos dos empresários consideravelmente". Por outro lado, o entrevistado elogia a reforma trabalhista, que entra em vigor neste mês. "As mudanças na CLT devem trazer alguma ajuda para as vendas", aponta o presidente da AEB.