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13/05/2011 - Carta IEDI nº 467
Produção e Balança Comercial: A Indústria de Transformação Brasileira por Intensidade Tecnológica

A indústria de transformação iniciou 2011 crescendo sua produção em 2,2%, na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010. Também mês a mês, pela série dessazonalizada, a produção física deste setor logrou taxas positivas em todos os meses do ano. Apesar destes números positivos, na comparação em doze meses, a taxa de variação da indústria de transformação tem crescido a taxas decrescentes, sendo que a maior produção no trimestre, na magnitude em que se apresentou, é ainda insuficiente para reverter tal movimento.

Pela classificação por intensidade tecnológica da indústria de transformação, adotada pela OCDE, há de se destacar que:

Das quatro faixas de intensidade, alta; média-alta; média-baixa; e baixa, foram os segmentos de alta e de média-alta intensidade aqueles que mais cresceram em janeiro-março: respectivamente, 5,4% e 4,2% na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual período de 2010. Em doze meses, as variações foram de 2,8% e 11,3%.
    
Apesar disso, as balanças comerciais dos produtos típicos das indústrias de alta e de média-alta intensidade se deterioraram fortemente na comparação entre acumulados até março de 2011 e de 2010. De fato, o déficit dos produtos da indústria de alta intensidade cresceu para US$ 6,8 bilhões, enquanto o dos bens do segmento de média-alta saltou para US$ 11,0 bilhões. Ou seja, apesar do incremento na produção, este não acompanhou o crescimento da demanda doméstica.
    
Quanto às indústrias de média-baixa intensidade, sua produção física aumentou 3,2%. Esta faixa de intensidade tem seu comportamento bastante ditado pelo comportamento da produção de bens metálicos (metalurgia básica e fabricação de produtos metálicos) e da fabricação de derivados do petróleo refinado, álcool e outros combustíveis. A produção de bens metálicos cresceu apenas 1,6% no trimestre, mas ainda assim, propiciou um superávit de US$ 2,1 bilhões, o que ajudou a conter o déficit dos bens desta faixa, que atingiu US$ 707 milhões.
    
O segmento menos intensivo em termos tecnológicos foi o único cuja produção declinou, queda de 1,5% no trimestre. As indústrias de alimentos, bebidas e fumo sofreram declínio de 0,7%, enquanto as indústrias madeireiras, de papel e celulose, gráfica e afins perceberam recuo de 1,0%. Ainda assim, foram ambas, principalmente a produção de alimentos, que proporcionaram o superávit recorde, de US$ 8,5 bilhões dos produtos da indústria de baixa intensidade tecnológica.
    
Por outro lado, ainda dentro da faixa de baixa intensidade, as indústrias têxtil, do vestuário, couro e calçados sofreram forte retração no início de 2011, de 7,1%. Como agravante, tecidos, artigos de vestuário, calçados e afins registraram pela primeira vez déficit em janeiro-março pela série iniciada em 1989.

Desse modo, observa-se que atividades intensivas em mão-de-obra - indústria têxtil, do vestuário, calçados etc. - e aquelas para as quais a diferenciação de produto, economias de escala e inovação são fatores críticos de sucesso - a exemplo dos segmentos do complexo eletrônico e a indústria de bens de capital - são as que têm mais sentido os efeitos da taxa de câmbio apreciada.

As autoridades econômicas têm demonstrado apreensão de um lado com a inflação e, de outro, com a manutenção do crescimento e da base produtiva instalada. Porém, está-se pagando pela timidez na redução das taxas de juros durante a fase aguda da crise internacional em 2009. No momento atual, quando a elevação da taxa de juros é um dos instrumentos de contenção da alta de preços, o processo ocorre a partir de um patamar de taxa de juros já muito elevado.

Esforços mais contundentes para resolver questões de infra-estrutura, para aprimorar e simplificar o sistema tributário, bem como para cercear mecanismos de estímulo às importações adotados pelos governos estaduais são medidas prementes. Ademais, à medida que a taxa de câmbio tem prejudicado setores mais intensivos em tecnologia e nos quais a diferenciação de produto é condição para o sucesso dos negócios, instrumentos em prol da inovação adquirem maior relevo.

Uma Visão Geral da Indústria de Transformação. A indústria de transformação logrou expansão de 2,2% em sua produção física no acumulado até março vis-à-vis igual período de 2010, segundo o IBGE. Embora não seja uma taxa vultosa, há de se atentar para o incremento mês a mês pela série dessazonalizada nos três meses iniciais do ano, de 0,5% em janeiro, 1,9% em fevereiro e de 0,8% em março. Apesar desses números positivos, na comparação em 12 meses, a taxa de variação continua a declinar ainda que se mantendo positiva e em patamar elevado, 6,6% em março último. Ou seja, as taxas positivas nas outras bases de comparação não podem ser tomadas como capazes de reverter a tendência apresentada no comparativo em 12 meses, tendência esta que se iniciou em novembro do ano passado.

Embora a expansão não tenha sido pujante no contraponto entre primeiros trimestres de 2011 e 2010, as exportações dos produtos típicos da indústria de transformação cresceram bastante em termos monetários: de US 26,2 bilhões no primeiro trimestre de 2010 para US$ 31,5 bilhões em 2011. Ainda assim, houve uma ampliação substantiva no déficit comercial dos produtos da indústria de transformação, de US$ 7,1 bilhões para US$ 10,0 bilhões.

Como será visto adiante, alguns dos produtos que mais contribuíram para mitigar o tamanho desse déficit foram justamente aqueles ligados a segmentos com baixo crescimento ou mesmo queda na produção física. Tais produtos, como bens da metalurgia básica e da indústria de alimentos, têm registrado alta nos preços internacionais. Por outro lado, esta elevação, decorrente de uma maior demanda externa por alimentos e insumos básicos, ao aumentarem os termos de troca, concorrem para a própria apreciação cambial.

A valorização do real, reforçada pelos diferenciais entre as taxas de juros domésticas e dos demais países, criam óbices de monta para que outros segmentos produtivos consigam competir na arena internacional. Isto tanto mais quanto forem tais atividades caracterizadas por economias de escala e presença de empresas multinacionais com bases produtivas distribuídas no globo.

As autoridades econômicas têm demonstrado apreensão de um lado com a inflação e de outro com a manutenção do crescimento e da base produtiva instalada. Porém, está-se pagando pela timidez na redução das taxas de juros durante a fase aguda da crise internacional em 2009. No momento atual, quando a elevação da taxa de juros é um dos instrumentos de contenção da alta de preços, o processo ocorre a partir de um patamar de taxa de juros já muito elevado.

Esforços mais contundentes para resolver questões de infra-estrutura, para aprimorar e simplificar o sistema tributário, bem como para cercear mecanismos de estímulo às importações adotados pelos governos estaduais (usados para ampliar a arrecadação destes governos) são medidas prementes. Ademais, à medida que a taxa de câmbio tem prejudicado setores mais intensivos em tecnologia e nos quais a diferenciação de produto é condição para o sucesso dos negócios, instrumentos em prol da inovação adquirem maior relevo.

A Indústria de Transformação por Intensidade Tecnológica: Primeira Incursão. Desagregando a indústria de transformação por faixas de intensidade tecnológica, nos moldes de como procede a OCDE, pode-se ter um quadro mais pormenorizado do comportamento da indústria de transformação. Tal tipologia divide a indústria de transformação em quatro segmentos: de alta, média-alta, média-baixa e baixa intensidade tecnológica.

Dentre os quatro segmentos, foi a indústria de alta intensidade a que mais cresceu no primeiro trimestre na comparação com o mesmo acumulado de 2010, variação de 5,4%. Isto mesmo com a queda, de 1,7%, na comparação entre meses de março por conta dos feriados de carnaval no terceiro mês de 2011. O crescimento no trimestre foi acompanhado de piora no saldo comercial dos bens típicos da indústria de alta intensidade. A indústria de média-alta intensidade, por sua vez, logrou a segunda maior expansão na comparação entre acumulados no ano de 2011 e 2010, com taxa de 4,2%. Nesse caso, a deterioração na balança comercial dos bens dessa faixa foi ainda mais contundente, sendo o grupo a experimentar o maior déficit dentre os quatro segmentos.

Se as duas faixas que mais cresceram foram as mais intensivas em tecnologia, aquelas de menor intensidade tiveram performances menos auspiciosas. No caso do conjunto de indústrias de média-baixa intensidade, este cresceu 3,2% em janeiro-março, não ficando muito atrás. Seus produtos presenciaram um déficit menor no primeiro trimestre de 2011 na comparação com o primeiro trimestre de 2010. Porém foi o segundo déficit para janeiro-março em toda a série iniciada em 1989

Já o segmento de baixa intensidade tecnológica, foi o único cuja produção física declinou no acumulado até março, com queda de 1,5%. Porém, foi o único a registrar superávit comercial em janeiro-março de 2011, inclusive com ampliação do mesmo.

Alta Intensidade Tecnológica. A faixa de atividades de alta intensidade tecnológica tem como comportamento característico o aumento da produção física acompanhado de maior déficit no intercâmbio de seus produtos típicos. Em se tratando de primeiro trimestre, este alinhamento só não foi observado em 2003 e em 2005. Mesmo em 2009, ano que concentrou os efeitos da crise internacional e a produção física da indústria de transformação brasileira se retraiu sobremaneira no acumulado até março, tal aspecto prevaleceu: o déficit caiu. No primeiro trimestre de 2011, o conjunto das indústrias de alta intensidade cresceu 2,2%, enquanto a magnitude do saldo negativo aumentou de US$ 6,2 bilhões para US$ 6,8 bilhões.

Excetuando-se a indústria farmacêutica, nas demais atividades altamente intensivas em tecnologia, prevalece a produção de bens montados ou complexos. Estes produtos montados incluem os aviões, equipamentos médico-hospitalares, relógios, computadores, equipamentos de escritório, aparelhos de áudio & vídeo (televisores, DVD-players etc. - bens da linha marrom), tele-equipamentos, celulares, equipamentos receptores e transmissores de radiodifusão, dentre outros. Os processos produtivos de larga maioria destes bens são caracterizados por uma forte decomposição internacional, um aspecto que lhes é inerente, estejam as bases fabris no Brasil, estejam noutras partes do globo.

A indústria aeronáutica brasileira experimentou expansão relevante no primeiro quarto de 2011, de 8,5%, inclusive com incremento de 1,2% em março (frente a igual mês de 2010). Ressalte-se que a fabricação de aviões do País destina parcela expressiva de sua produção para o exterior. Ainda assim, o comércio externo dos bens típicos da atividade ficou deficitário em janeiro-março de 2011, déficit de US$ 221 milhões.

Já as atividades ligadas ao complexo eletrônico, possuem uma distinção importante do subsetor aeroespacial: o foco da produção doméstica está no mercado interno brasileiro, característica reforçada pela ampliação do mesmo. Das três atividades ligadas ao complexo eletrônico, duas registraram taxas positivas em sua produção física na comparação entre o primeiro trimestre de 2011 e igual acumulado de 2010: a fabricação de equipamentos de áudio & vídeo e de telecomunicações - atividade que abarca também a produção de componentes eletrônicos - logrou incremento de 2,9%; enquanto a fabricação de equipamentos e instrumentos de precisão, médico-hospitalares e afins, que inclui a produção de mantas de LCD para televisores, celulares etc., cresceu a dois dígitos, taxa de 23,2% - esta última com forte expansão no contraponto entre meses de março. Tais acréscimos foram acompanhados de ampliação na grandeza dos déficits dos bens tipicamente produzidos por elas. Produtos da linha marrom, tele-equipamentos e componentes eletrônicos perceberam saldo negativo recorde de US$ 2,4 bilhões. Os instrumentos e equipamentos de precisão, óticos e médico-hospitalares registraram déficit de US$ 1,3 bilhão, também recorde para o trimestre.

Ainda dentro do complexo eletrônico, a fabricação de equipamentos de informática e de escritório produziu no trimestre inicial de 2011 quase o mesmo de igual período de 2010: taxa de -0,1%. Mesmo com menor produção, o resultado deficitário ficou ainda mais contundente: saldo negativo de US$ 1,4 bilhão.

Quanto à indústria farmacêutica, que produz bens não-montados, sua produção se ampliou em 3,8% na comparação trimestral. Ademais, pela série dessazonalizada, a atividade tem crescido ininterruptamente nos três primeiros meses (comparação entre mês e mês imediatamente anterior). Suas exportações atingiram seu mais alto patamar histórico para primeiro trimestre, US$ 467 milhões, mas ainda assim insuficiente para impedir que o intercâmbio de fármacos atingisse seu segundo maior déficit na série iniciada em 1989: déficit de US$ 1,4 bilhão.

Média-alta Intensidade Tecnológica. A faixa de média-alta intensidade tecnológica experimentou para o acumulado até março, de 2003 a 2006, produção física ascendente com redução no déficit comercial dos bens produzidos por atividades dessa faixa. Desde 2007, porém, o comportamento se alterou: a produção física cresceu com declínio da balança comercial, com exceção de janeiro-março de 2009, quando a produção caiu com deterioração no resultado comercial. No quarto inicial de 2011, a produção física cresceu 4,2%, a despeito da queda no comparativo entre meses de março. O incremento da produção no trimestre foi acompanhado de impressionante aumento do déficit, saltando de US$ 7,5 bilhões para US$ 10,0 bilhões.

Mais amiúde, pode-se perceber três padrões distintos dentro do segmento de média-alta intensidade: o das indústrias fabricantes de equipamentos de transporte, com produção crescendo a dois dígitos no trimestre e déficits recordes; das atividades nas quais predominam a fabricação de bens de capital, com crescimento no trimestre mais brando, mas também com saldos negativos sem iguais na série e a indústria química (exceto a farmacêutica), com produção em retração enquanto o País registra resultado negativo na balança de bens químicos. 

Começando pela própria indústria química, a retração de sua produção foi de 4,4% na comparação entre iguais trimestres de 2011 e 2010. Como agravante, na comparação mês a mês pela série livre de efeitos sazonais, tanto a produção de sabões, bens de higiene quanto a de outros químicos não tiveram bom desempenho. Mesmo dessa forma, até então o Brasil nunca exportou tanto em um primeiro trimestre quanto em 2011, US$ 2,5 bilhões. Mas também nunca importou tanto, culminando no resultado negativo sem equivalente: déficit de US$ 4,0 bilhões.

A indústria automobilística produziu 10% a mais do que no primeiro trimestre de 2011. Mês a mês, pela série dessazonalizada, a atividade sofreu recuo de 4,4% em janeiro, recuperando-se em fevereiro, 5,9%, caindo 0,5% em março. Mesmo com tal ampliação, no acumulado até março, o Brasil registrou déficit superlativo em automóveis, reboques e semi-reboques, de US$ 1,5 bilhão. Quanto ao conjunto da fabricação de material ferroviário e a de outros equipamentos de transporte (motocicletas, bicicletas etc.), seu crescimento foi ainda mais impressionante: 30,5%. Performance acompanhada pelo incremento no déficit, chegando a US$ 342 milhões.

Passando para a produção de máquinas e equipamentos elétricos, esta cresceu 3,5% em janeiro-março ante igual acumulado de 2010, mesmo com o declínio de 1,9% na comparação entre meses de março. Mais interessante, contudo, é o incremento mês a mês pelos dados livres de influências sazonais, com taxas positivas em todos os três primeiros meses, com destaque para a ampliação de 2,9% em março. A fabricação de máquinas e equipamentos não especificados em outras atividades, por sua vez, experimentou um incremento de 4,5% na produção física, também tendo retração no contraponto entre meses de março, de 1,6%. Outra similaridade foi o desempenho mês a mês com taxas positivas em todos de 2011. As semelhanças não terminam na produção. O comércio exterior dos produtos oriundos de ambas as atividades perceberam seus piores resultados de toda a série iniciada em 1989 para primeiro trimestre: déficits de US$ 1,6 bilhão e de US$ 3,5 bilhões, respectivamente. 

Média-baixa Intensidade Tecnológica. Considerando o primeiro trimestre de cada ano desde 2002, observa-se que o segmento de média-baixa intensidade tecnológica experimentou de 2003 a 2006 expansão quase que contínua da produção física, pari passu a um aumento no superávit comercial dos bens produzidos pelas atividades em pauta. No acumulado até março de 2007 e no de 2008, a produção física continuou a crescer, porém com o saldo comercial se deteriorando. No quarto inicial de 2009 tanto a produção física quanto a balança declinaram. No mesmo acumulado do ano subseqüente, o saldo continuou a cair, ficando deficitário pela primeira vez em toda a série (iniciada em 1989, considerando apenas o trimestre inicial de cada ano), mesmo com a produção física se recuperando. Em janeiro-março de 2011, a produção física alcançou seu maior nível da série, com o déficit recuando para US$ 707 milhões. 

Todas as atividades que compõem a presente faixa de intensidade lograram incremento nas comparações entre meses de março, entre acumulados no ano até março e em doze meses frente aos doze meses anteriores.

Vale notar que a produção de bens metálicos cresceu no trimestre aquém da taxa obtida pelo conjunto das atividades de média-baixa como um todo: 1,6% frente a 3,2%. Se por um lado, tal taxa parece pouco auspiciosa, tanto a metalurgia básica quanto a produção de bens metálicos propriamente ditos lograram incremento na comparação mês contra mês imediatamente anterior (dados dessazonalizados) em todos os meses de 2011. Tal desempenho assume relevo, pois a balança comercial dos produtos metálicos é historicamente superavitária. No trimestre inicial de 2011, o saldo foi de US$ 2,1 bilhões, ainda sem equiparar os superávits de janeiro a março dos anos de 2005, 2006, 2007 e de 2008, embora as exportações tenham atingido o ápice, US$ 5,6 bilhões.

A produção de produtos de petróleo refinado, outros combustíveis e afins, em termos de comércio exterior, tem tido papel quase oposto ao dos produtos metálicos. Deficitário, em geral, no primeiro trimestre de 2011, o saldo negativo dos produtos desse segmento chegou a US$ 2,0 bilhões. Notar que suas vendas externas, de US$ 1,2 bilhão, também foram recordes. No trimestre a produção física dessa atividade cresceu 4,5%, apoiada pelo próprio desempenho na comparação entre meses de março: expansão de 13,7%. Notar que a performance mês a mês pela série livre de sazonalidade não tem sido consistente, tendo crescido apenas na passagem de janeiro a fevereiro.

Quanto aos demais segmentos, a construção naval teve a maior expansão no primeiro trimestre, de 5,5%. A fabricação de produtos de minerais não-metálicos, a seu turno, cresceu 4,6%. A produção de borracha e plásticos teve expansão de menor magnitude, de 3,3%.

Baixa Intensidade Tecnológica. O grupo das indústrias de baixa intensidade tecnológica foi a única das quatro faixas cuja produção física no primeiro trimestre de 2011 declinou, queda de 1,5%. Concorreu para tanto a própria queda na comparação entre meses de março, de 6,9%. O segmento de baixa intensidade inclui a produção de bens de peso na pauta exportadora do Brasil. Desse modo, o segmento em questão apresenta comportamento no qual o incremento da produção física ocorre pari passu à melhora no saldo comercial. No período em foco, o acumulado até março de 2011 é exceção: mesmo com a retração da produção física, as exportações dos bens típicos do conjunto de atividades em questão atingiram US$ 12,7 bilhões, o maior montante exportado para primeiro trimestre, o que propiciou um superávit também sem igual, de US$ 8,5 bilhões.

O padrão apresentado pelo segmento de baixa intensidade tecnológica se deve às indústrias de alimentos, bebidas e fumo, principalmente à produção de alimentos. A produção de alimentos, bebidas e fumo sofreram ligeira retração no trimestre, de 0,7%. A retração na comparação entre meses de março, de 4,9%, concorreu para o número negativo no trimestre. Saliente-se que, na comparação mês a mês pela série dessazonalizada, a produção física de alimentos cresceu em janeiro, 0,9%, e fevereiro, 6,5%, caindo 3,9% em março. Mesmo com tal recuo, as exportações e o superávit comercial cresceram para patamares históricos, de US$ 8,9 bilhões e de US$ 7,4 bilhões, respectivamente.

As indústrias madeireira, de mobiliário, papel, celulose e impressão também sofreu retração em janeiro-março, de 1,0%. O superávit de US$ 1,6 bilhão e as exportações de US$ 2,2 bilhões, ambas grandezas também sem igual no retrospecto da balança dos bens em pauta, salientam o fato dessas atividades guardarem semelhanças com a produção de alimentos, bebidas e fumo: consistem em segmentos ligados a recursos naturais e espelham vantagens comparativas patentes do País

A produção física das atividades têxtil, de vestuário, couro e calçados sofreu a maior retração dentre todas as atividades da indústria de transformação, com queda de 7,1% na comparação entre o acumulado até março de 2011 e o de 2010. Em meses de março, o declínio foi de 12,6%. Mais: pela primeira vez para o período de janeiro a março, a balança comercial dos bens dessas atividades ficou deficitária, em US$ 342 milhões. Suas exportações não retomaram o patamar para primeiro trimestre registrado de 2005 a 2008. Tal grupo de indústrias é intensivo em mão-de-obra e o quadro que os dados mostram refletem as dificuldades decorrentes principalmente da taxa de câmbio apreciada.

Por fim, a fabricação de manufaturados não especificados nas demais atividades foi a única a crescer no trimestre inicial de 2011: 10,2%. Isto mesmo com a forte queda na comparação entre meses de março, de 7,9%.

Carta IEDI está disponível em http://www.iedi.org.br/


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