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05/12/2017 - Valor Econômico
Setor externo deve parar de ajudar PIB em 2018

 A ajuda do setor externo para o Produto Interno Bruto (PIB), que ainda pode ser levemente positiva em 2017, deve virar o sinal no ano que vem, segundo analistas ouvidos pelo Valor. A projeção começa a ganhar corpo entre os analistas, embora alguns ainda acreditem numa contribuição positiva do setor em 2018, embora em nível menor. Ninguém discorda, porém, que as importações, que ganham já maior fôlego, devem se acelerar ainda mais no ano que vem como resultado de recuperação da demanda doméstica.A expectativa dos analistas para 2018 é de superávit na balança comercial divulgada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). A ajuda negativa para o PIB medido pelo IBGE, porém, é considerada possível pelos economistas porque a contribuição para o produto é feita em termos de variação de volume. E o cenário de 2018 favorecerá aumento em volume de importações proporcionalmente maior que o aumento no volume de exportações.A contribuição do setor externo para o PIB já foi negativa no terceiro trimestre, na comparação com o anterior, quando as exportações cresceram 4,1% e as importações avançaram mais (6,6%). Na comparação interanual a ajuda ainda é positiva, com alta de 7,6% na exportação e de 5,7% na importação.Para alguns analistas, porém, é a comparação na margem que traz a tendência que o setor externo deverá ter. Lívio Ribeiro, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre-FGV), avalia que a contribuição do setor externo ao PIB deve passar de 0,1 a 0,2 ponto percentual positivo este ano para 0,2 a 0,3 ponto no campo negativo no ano que vem. As estimativas preliminares do Ibre para 2018, diz ele, apontam para avanço de 4% nas exportações e 5,8% nas importações. "Vai acontecer uma mudança de sinal no ano que vem", diz Ribeiro, o que não é problema.A contribuição negativa, diz o economista, deve ser resultado principalmente da reação das importações, já que a ajuda positiva que o setor externo deu em períodos anteriores foi muito mais resultante de queda da absorção doméstica do que de aceleração da demanda externa.Para o ano que vem, diz ele, o cenário esperado é de aceleração das importações pela recuperação doméstica e do lado da exportação há a percepção de um movimento novo no comércio global maior que se supunha no começo do ano. "O que pode ter efeito nesse quadro é a agenda protecionista de alguns países e agora estou falando dos Estados Unidos e que pode ganhar corpo. Atualmente não estamos em guerra comercial, mas em contencioso comercial. Mas esse contencioso pode virar guerra."José Augusto de Castro, presidente daAssociação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), tem opinião parecida. Ele projeta inicialmente que o valor das exportações na balança comercial divulgada pelo Mdic cresça 5% em 2018, mas com avanço muito maior das importações (15%). A estimativa leva em consideração um crescimento de PIB de 2,5% a 3% em 2018. Castro destaca que a média das importações nos quatro últimos meses, segundo dados do Mdic, ficou acima dos US$ 600 na média diária. "Saímos de um patamar de média diária de US$ 500 que prevaleceu até julho. A tendência é que mantenhamos o patamar próximo dos US$ 650 na média diária."Com esse desempenho, diz Castro, o setor externo deverá ter contribuição negativa para o PIB no próximo ano. Além da aceleração das importações, avalia, muitas empresas que se voltaram mais recentemente para a exportação vão deixar de embarcar para voltar sua produção ao mercado doméstico em expansão. "A exportação tornou-se muito onerosa e infelizmente repetiremos aquele ciclo no qual o mercado externo torna se caminho somente durante a crise do mercado doméstico."Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), destaca que os desembarques ainda têm um longo horizonte de expansão. "As importações ainda não tiveram reação forte suficiente para sair do vale", diz.Ele lembra que no pré-crise, em 2013 e 2014, os desembarques somaram cerca de US$ 205 bilhões, US$ 220 bilhões anuais. Em 2017, até novembro, os importações atingem ainda menos de US$ 140 bilhões. "Se em grande medida a queda das importações é creditada à crise, quando a economia volta a se recuperar o que se espera é um retorno aos patamares anteriores", diz Cagnin.Os números da balança já mostram um movimento mais forte dos desembarques. Na média móvel trimestral encerrada em novembro, diz ele, as importações crescem 16%, ritmo muito mais alto do que o avanço de 9,6% do acumulado dos 11 primeiros meses, sempre usando o critério da média diária.Os embarques, porém, apesar de estar em valores e níveis de crescimento ainda confortáveis, não têm sinal de aceleração. Na média móvel trimestral em novembro as exportações sobem 18,6% enquanto no acumulado até o mesmo período a alta é de 18,2%. "Isso abre possibilidade para o setor externo começar a contribuir negativamente para o PIB a partir do ano que vem ou talvez até já no último trimestre deste ano", avalia Cagnin.Para Ribeiro, do Ibre, uma contribuição negativa do setor externo é esperada num momento de retomada da economia, principalmente num país como o Brasil, com baixa poupança externa e no qual os investimentos estão associados ao uso da maior poupança externa.O que se discute, diz o economista, é se essa contribuição do setor externo pode ficar excessivamente negativa dado o tamanho do crescimento da atividade econômica. Para o ano que vem, diz ele, o Ibre por enquanto projeta crescimento de 2,5% da economia e por isso uma contribuição negativa de 0,2 ou 0,3 ponto percentual não seria desproporcional. Em nenhum caso, diz Ribeiro, a contribuição negativa do setor externo é problema se o déficit em conta corrente é financiável e, no momento, há muita liquidez disponível.Nem todos, porém, acreditam que em 2018 o setor externo passará a ter contribuição negativa. Fabio Silveira, sócio da MacroSector, diz que a ajuda ainda ficará no azul, embora tenda a ser menor, com a esperada aceleração das importações.Com crescimento do PIB projetado entre 2,8% a 3% para o ano que vem, a recuperação do mercado interno, com avanço do consumo e da demanda de bens intermediários pela indústria, deve aumentar o ritmo dos desembarques em 2018. Mas as exportações, acredita ele, ainda terão crescimento em ritmo maior em função do câmbio favorável e da consolidação de empresas no mercado internacional. No cálculo para o PIB, a MacroSector projeta para o ano que vem crescimento de 8% para as exportações e de 5% para as importações. Para este ano a estimativa é de alta de 5,5% das exportações e de 3,5% das importações.


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